Deslocamentos e violações a partir de Itaipu: fome, frio, adoecimento e metas batidas
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Resumen
A construção da usina hidrelétrica de Itaipu fez parte de um projeto de modernização conservadora levado adiante pela ditadura brasileira. Na versão oficial apenas a construção de um “Brasil grande” era ressaltada, inclusive buscava convencer os envolvidos de que faziam parte de um projeto “para todos”. Nosso objetivo é mostrar os impactos sociais, tanto na região atingida, que teve um deslocamento de milhares de pessoas para a construção da obra, como para fora, com o deslocamento de outras milhares de pessoas expulsas de suas terras e casas. Foi, portanto, um duplo movimento histórico, embora não costume ser problematizado de tal forma. Trabalhadores de todo o país e de alguns lugares do mundo se deslocaram, inflando a cidade de Foz do Iguaçu e Puerto Stroessner (Ciudad del Este), e trabalhadores rurais e indígenas foram deslocados para diversos outros lugares do país, em processos que geraram imensos conflitos e disputas de interesses. Do ponto de vista interno, dentro do canteiro de obras um mundo à parte se construiu. Pessoas deslocadas de vários pontos do país, e além fronteira, eram submetidas a um espaço violento por natureza, na medida em que se tratava de transformar a natureza, desviar um poderoso rio, construir uma barragem de 250 metros de altura, parte disso subterrânea, num processo contínuo, batendo metas, sendo estimulados a ser “exemplares” e vigiados como se vivessem dentro de uma prisão, sendo uma espécie de “instituição total”, nas palavras do historiador Valdir Sessi (2015). E do outro lado, como parte do projeto da Ditadura brasileira, a expansão para territórios longínquos propunham um novo momento colonizador, estendendo seus braços até a Amazônia brasileira. O foco da análise é o processo histórico envolvido nesse duplo momento.
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